Intenção de investimento sofre segunda redução consecutiva
As intenções de investimento das empresas reduziram-se pelo segundo ano consecutivo em 2002. Segundo pesquisa da consultoria Simonsen Associados, no ano passado, o total anunciado foi de US$ 127 bilhões, montante 18,5% menor do que os US$ 156 bilhões registrados em 2001. A desvalorização cambial, as eleições, além da redução de aportes em grandes setores, foram as principais causas da retração.
Em função da crise de energia, no ano retrasado, os investimentos no segmento de eletricidade e gás chegaram a US$ 54,8 bilhões, 35% do total aplicado no país. Mas no ano passado, o atraso do programa de termelétricas e a continuidade de alguns impasses no setor, fizeram com os anúncios de investimento caíssem pela metade, para US$ 27,7 bilhões. Ainda assim, o segmento continua como o que mais anuncia investimentos.
A queda nos volumes investidos também foi de grande magnitude no setor de comunicações. As razões para isso estão no cumprimento das metas das concessionárias privadas e também no número de consumidores, menor do que o esperado. Em 2002, os anúncios de investimento na área de comunicações foram cerca de quatro vezes menor do que no ano anterior, passando de US$ 36 bilhões para US$ 9,9 bilhões
O setor que atingiu maior crescimento foi o de extração de petróleo e gás que, em 2002, passou a ser o segundo com o maior volume de investimentos anunciados - US$ 24,1. Em 2001, com US$ 1,3 bilhão de investimento, o setor abocanhava 0,9% do total de investimentos. No ano passado, representou 19% do total. O salto se deve ao anúncio da Petrobras de investir US$ 17 bilhões na bacia de Campos nos próximos anos.
Mesmo com a queda nos investimentos, o diretor-presidente da consultoria, Harry Simonsen, avalia que o resultado da pesquisa ainda mostra uma tendência ascendente nas aplicações, se forem descontados os picos de investimento nos momentos pós-privatização.
Outro diretor da Simonsen, Antônio Cordeiro, lembra que a desvalorização cambial também pode ter influenciado o balanço, uma vez que investimentos físicos, como construção e compra de materiais nacional pôde ser feita com menos dólares.
A previsão da Simonsen é de que este ano os investimentos possam crescer 7%, para US$ 136 bilhões. "Mesmo com os problemas ligados ao custo-Brasil, esse pode ser um ano promissor", diz o Harry Simonsen. Para ele, o caminho para o aumento dos investimentos pode estar em garantir que haja crédito ao consumidor com juros mais acessíveis. "A própria capacidade produtiva do país será capaz de gerar demanda", argumenta.
A pesquisa também mostrou que, passado o período mais forte dos investimentos, nas áreas privatizadas a participação do capital estrangeiro vem se reduzindo. Em 2001, a participação de investimentos por empresas estrangeiras era de 48,6%, com US$ 76,1 bilhões anunciados. Neste ano, a representatividade caiu para 36,6%, com aportes de US$ 46,6 bilhões.
Outra tendência que se confirmou foi a desconcentração de investimentos no país. Sul e Sudeste continuam a diminuir sua participação, enquanto Norte e Nordeste mantém o crescimento. Em 1995, as regiões mais ricas recebiam cerca de 90% dos investimentos, agora recebem 67,1%, enquanto as mais pobres detinham 9,6% e passaram a representar 28,9% do total.
Fonte: Matéria lida no-Valor Econômico - 04/02/2003
Gustavo Faleiros, De São Paulo