Agora, INSS vai aonde o idoso estiver .Só ontem Previdência começou a treinar pessoal para atender os aposentados
O calvário dos idosos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) chegou ao fim. Esta é a promessa do Ministério da Previdência, que - depois do desastroso bloqueio de benefícios de 105 mil pessoas com mais de 90 anos de idade e de 11 dias de sacrifício imposto aos idosos para irem às agências do INSS -, enfim, colocou em funcionamento o sistema de agendamento de visitas por telefone. O ministério garante: irá aonde for preciso para localizar o idoso que marcar atendimento, até mesmo àquela pracinha onde ele, porventura, costume passar os dias com amigos.
O JB mais uma vez testou o PrevFone e constatou, depois de 57 ligações em que o telefone esteve ocupado, que o serviço entrou em vigor. O idoso - ou qualquer pessoa que o represente, até mesmo um vizinho - pode solicitar o agendamento, fornecendo dados do beneficiário como endereço, telefone para contato (mesmo que seja de um parente) e número do benefício. O Ministério da Previdência promete organizar os chamados para, em um só dia, atender idosos que morem próximo um do outro em qualquer região do país. E adverte: não fará visitas de surpresa. Os idosos só devem abrir as portas de casa a agentes do INSS com crachá e depois de terem recebido uma ligação com a identificação do funcionário. Ainda não há prazo entre o dia do agendamento e a visita aos domicílios. É preciso paciência e - talvez seja difícil - acreditar que nenhuma medida de bloqueio será tomada até lá.
O serviço por telefone havia sido anunciado no início da semana, mas o JB comprovou que ele não funcionava, precisando um familiar do idoso entrar na fila do INSS para solicitar a visita. Ainda assim, era necessário comprovar a impossibilidade do segurado de caminhar até o posto.
Só ontem, a Previdência pôde anunciar as novas diretrizes do INSS para melhorar o atendimento, que vinha causando constrangimentos a idosos, obrigados a enfrentar longas filas, sofrendo os transtornos naturais da idade avançada. O diretor-presidente do INSS, Taiti Inenami, definiu que gerentes de agências formarão equipes de visita. Os atendentes do PrevFone começaram, também só ontem, a ser treinados para agendar atendimento.
- Garanto que os segurados podem ficar em suas casas e não precisam ficar ansiosos, porque o Ministério da Previdência entendeu que o recadastramento dos segurados com idades acima de 90 anos e mais de 30 de pagamento não será feito a qualquer custo. Queremos combater a fraude, mas jamais tomaremos qualquer outra medida que possa trazer desconforto e transtornos aos segurados - afirmou Inenami.
O serviço PrevFone está disponível das 7h às 19h, de segunda-feira a sábado, com 160 atendentes (80 por turno), segundo o Ministério da Previdência. O JB teve dificuldades para ser atendido pelo serviço. Tentou durante quase uma hora, por 57 vezes, e o telefone esteve sempre ocupado. Na 58ª ligação, teve mais sucesso. O idoso, assim que for atendido, deve discar o dígito 2 e solicitar, com o número do benefício à mão, a marcação da visita em domicílio.
De acordo com a assessoria do ministério, desde quinta-feira a orientação para agendar visitas já existia, mas grande número de funcionários teria retardado o início do serviço.
Com a credibilidade abalada pelos últimos fatos e depois de pedir reiteradas desculpas aos idosos, o Ministério da Previdência pede agora um voto de confiança. Aconselha que os beneficiários não saiam de casa para ir aos postos do INSS e que, depois do agendamento telefônico, não tenham pressa: o Instituto vai procurá-los. Primeiro por telefone, para depois, poder mostrar uma face mais respeitosa, na figura de um agente treinado especificamente para atender o idoso em casa e até ''na pracinha''.
O Ministério da Previdência alega que os transtornos foram causados por uma medida equivocada que tinha o objetivo de evitar a fraude e cumprir determinação do Ministério Público, que obriga o INSS a estar com todos os dados cadastrais em dia. Os beneficiários costumam fazer a atualização de dados anualmente no banco em que recebem o dinheiro. Mas o sistema não impediu que 105 mil pessoas ficassem de fora.
Fonte: Matéria lida no-Jornal do Brasil - 15/11/2003
Daniela Dariano