Daycoval precisa captar para financiar o aumento em sua carteira de crédito

O banco Daycoval, Com a crise na Europa e o mercado de eurobônus difícil desde maio, as transações envolvendo agências governamentais se tornaram alternativa para os bancos médios brasileiros. Mostra disso é o Banco Daycoval, que acaba de captar US$ 165 milhões em um empréstimo "guarda-chuva" sindicalizado, com a participação de onze bancos e da IFC, International Finance Corporation, o braço financeiro do Banco Mundial. Na semana passada, o BicBanco anunciou US$ 32 milhões em empréstimo de dívida subordinada, que entra como capital no balanço do banco, do banco de fomento alemão DEG. "A transação do Daycoval é o primeiro empréstimo sindicalizado para um banco médio brasileiro desde que a crise de 2008 estourou", diz Andrew Gunther, responsável pela atividade da IFC no Brasil. Segundo ele, parte da estratégia da IFC é justamente financiar bancos de médio porte que fazem empréstimos para pequenas e médias empresas. "É uma forma indireta de chegar às empresas menores", diz. Segundo Morris Dayan, diretor-executivo do Daycoval, o banco foi procurado pela IFC há cerca de três meses, mas havia acabado de captar US$ 300 milhões, pelo prazo de cinco anos, pagando juros de 6,75% ao ano por meio de eurobônus no mercado internacional. "Estávamos muito confortáveis", afirma. Com a crise de dívida na Europa, que se agravou em maio, o mercado externo reduziu seu movimento e o Daycoval resolveu levar adiante transação de US$ 100 milhões com a IFC. Acabou levantando US$ 165 milhões a um custo "muito atrativo", segundo Dayan. Os recursos serão repassados às empresas - 60% da carteira do Daycoval é crédito para pequenas e médias companhias. O resto é financiamento de veículos e crédito consignado às pessoas físicas. A carteira de crédito do banco foi a R$ 4,2 bilhões no fim do primeiro trimestre. O Daycoval precisa captar para financiar o aumento em sua carteira de crédito, de taxas anualizadas em torno de 40%. E tem capital para crescer - seu índice de alavancagem (Basileia, relação entre o patrimônio e os ativos ponderados pelo risco) é de 27%. O mínimo exigido pelo BC é de 11%.

Matéria lida no: Valor Econômico / 23/06/2010

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