Banco Daycoval Crédito com desconto em folha para INSS

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    (Reuters)O Banco Daycoval, da família Dayan, decidiu ampliar sua aposta no mercado de crédito. A instituição, fundada em 1968 como uma corretora de valores, inaugura este mês sua área de de financiamento de automóveis, ao mesmo tempo em que abre sua 15ª agência, em Londrina (PR), e que lança o primeiro fundo de direitos creditórios (FDIC) do país com créditos diversificados por região e por tipo de empresa.

    Morris Dayan, diretor do Daycoval, diz que a avaliação da instituição é de que a trajetória de queda na taxa de juro será mantida e que o país continuará a crescer. "O investment grade (classificação de investimento seguro dado por agências de rating) é questão de tempo. Nesse cenário, queremos estar bem colocados", diz Dayan. Para ele, isso significa que é hora de aumentar a alavancagem e diversificar os produtos de crédito.

    Espaço para ampliar os financiamentos não será problema. O índice de Basiléia da instituição é de 23,28%, quando o mínimo exigido pelo Banco Central é de 11%. Além disso, o banco soube aproveitar bem as duas crises recentes dos bancos médios. A primeira, foi a intervenção do Banco Santos, em novembro de 2004. O Daycoval tinha em caixa R$ 318 milhões e, segundo Dayan, atendeu os investidores que optaram por resgatar seus recursos.

    Em seguida, em 2005, veio a crise de imagem dos bancos menores por conta do envolvimento dos bancos Rural e BMG no escândalo do mensalão. O Daycoval, no período, ampliou os depósitos em 76%, e em mais 20% neste primeiro semestre. "Para nós, tudo isso teve um lado positivo. Creio que o Daycoval saiu desses episódios como uma instituição diferenciada", afirma Morris Dayan, filho de Ibrahim. O tio de Morris, Sasson, e seu pai são os controladores do banco, que acaba de se mudar para uma nova sede, na avenida Paulista. A família não gosta de aparecer e raramente dá entrevistas.

    O aumento dos depósitos no último ano e meio permitiu que a instituição ampliasse a concessão de crédito sem alterar muito sua alavancagem. A carteira de empréstimos do banco é hoje de R$ 1,1 bilhão. Desse total, cerca de R$ 800 milhões são direcionados a cerca de mil empresas, de diversos tamanhos. Outros R$ 120 milhões são da carteira de comércio exterior (antes mais voltada à exportação e agora com a importação em ascensão) e cerca de R$ 150 milhões são de crédito consignado (sendo 40%, ou R$ 65 milhões, de financiamentos a aposentados e pensionistas do INSS).

    No consignado, a venda do crédito é feita por agentes terceirizados. O Daycoval nunca fez cessões dessa carteira, ao contrário da maior parte das instituições de médio porte. O banco também decidiu se diferenciar dos seus pares ao manter seu foco no financiamento de empresas, deixando o consignado apenas como uma diversificação de seu portfólio. "Poucos fizeram isso: apenas o Daycoval, o J.Safra, o Fibra e o Votorantim", afirmou um executivo da concorrência, ressaltando que bancos como Panamericano, Cacique, Pine, BMC e BMG preferiram alavancar os empréstimos consignados ou pessoais, em parte por causa da dificuldade de captar depósitos.

    No empréstimo a empresas, o Daycoval é visto por concorrentes como um banco agressivo, que sempre trabalha tendo recebíveis como garantia. "Se roubo um cliente do Daycoval, no dia seguinte um diretor me liga para reclamar e em seguida vai atrás do cliente. Às vezes consegue levá-lo de volta, mesmo sem baixar as taxas", afirma outro concorrente.

    O Daycoval tem uma maneira peculiar de trabalhar o crédito corporativo. Todo empréstimo tem de passar por um comitê para ser autorizado. Em seguida, um departamento checa se as garantias estão de acordo. E nenhum setor pode responder por mais de 10% da carteira. Hoje, cerca de 10% do valor total dos empréstimos está direcionado a 500 empresas de pequeno porte. As médias (com faturamento anual entre R$ 20 milhões e R$ 100 milhões) ficam com 70% dos financiamentos e as grandes, com 20%.

    Essa diversificação permitiu que o banco formatasse o primeiro FDIC de crédito corporativo pulverizado do país, no valor de R$ 150 milhões, que deverá ser lançado ainda este mês. Com prazo de três anos, o fundo terá o Itaú como custodiante. A Serasa será a certificadora dos critérios de diversificação, que foram apontados pela agência de classificação de risco Standard & Poor's como um dos pontos fortes da estrutura. A principal fragilidade, segundo a agência, é a rotatividade dos créditos, que são de curto prazo, o que pode afetar sua qualidade ao longo do tempo.

    Como parte da estratégia de ampliar a concessão de crédito e diversificar produtos, o banco também começa em julho a operar o Crédito Direto ao Consumidor no segmento de veículos. "Estudamos o crédito pessoal e achamos que o risco era muito alto", explica Morris Dayan. Segundo ele, apesar da forte concorrência dos grandes bancos nesse segmento, o Daycoval vê espaço no financiamento de veículos com mais tempo de uso. "Os bancos são mais fortes nos veículos novos; as grandes financeiras, no seminovos. Nós queremos crescer nos usados", explica.

    Fonte: Valor OnLine (07.07.06)

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