Atraído pelos bons lucros um novo grupo resolveu entrar no mercado financeiro e comprou o Banco Ficsa, especializado em financiamento ao consumo. Assim que a aquisição for aprovada pelo Banco Central (BC), a primeira providência dos novos controladores será dobrar o capital do Ficsa e reativar as operações de consignado, ampliando o leque de produtos já formando por crédito pessoal e financiamento de veículos usados e motos.
O Ficsa foi adquirido pela holding Quis Participações S.A., cujo controle é dividido entre o dono da Organizações Polimix, do setor de distribuição de cimento, que possui metade do capital; e as holdings de investimentos pessoais de dois sócios do grupo Equipave, da área de infra-estrutura e álcool, cada uma com 25%. Para cuidar do negócio foi contratado como presidente Sandro Tordin, 44 anos, com 29 anos de experiência no setor financeiro, os últimos nove à frente do Banco Schahin.
Tordin começou a tocar o projeto dos empresários de entrar na área financeira ao final do primeiro semestre. A idéia inicial era construir o banco a partir do zero, quando surgiu a oportunidade de comprar o Ficsa. "A aquisição permitiu encurtar a chegada ao mercado", disse Tordin, que não revelou o valor da operação. Fundado em 1964 por um grupo de empresários, entre os quais Eloi Fontes Lessa, o Ficsa se especializou em crédito ao consumidor e foi transformado em banco múltiplo em 1992. Mais recentemente o banco concentrou-se em serviços financeiros e a carteira de crédito ficou relativamente parada, contabilizando R$ 17 milhões ao final de setembro, quando os ativos totais eram de R$ 68,6 milhões, segundo dados do Banco Central (BC), que classificou o Ficsa como 95 º maior banco do mercado. Segundo o site do banco, os clientes cadastrados somam 450 mil clientes.
Enquanto a compra não é aprovada pelo BC, os novos controladores estão preparando a infra-estrutura. O projeto, disse, é fazer crédito de varejo e o grupo está consciente de que a competição cresceu muito nessa área, depois que vários bancos pequenos e médios abriram o capital e lançaram ações. Assim que a compra for aprovada, os novos controladores vão elevar o patrimônio do banco para R$ 40 milhões. E a meta é atingir uma carteira de crédito de R$ 250 milhões em três anos. Funding para esse projeto ambicioso não preocupa Tordin, já que os novos controladores têm capacidade financeira e o mercado está receptivo a fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), cessão de carteira e parcerias comerciais.
Abrir o capital pode ser uma alternativa, mas não no momento. "Temos que mostrar nossa competência antes disso". Além disso, Tordin lembrou que as condições atuais do mercado não favorecem a abertura de capital. "Houve uma primeira onda que agora parou. O mercado vai voltar mas, antes disso, vai aguardar a estabilização dos preços e verificar se os bancos que já abriram o capital vão entregar o que prometeram", disse. Para o executivo, o mais importante no crédito de varejo é a originação. Para isso, o Ficsa contará com uma rede de correspondentes bancários.
Fonte: Matéria lida no Valor Econômico-21/01/08
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Ficsa reativa as operações de consignado, ampliando o leque de produtos já formando por crédito pessoal e financiamento de veículos
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