Minha dívida no cartão de crédito |BMG

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SÃO PAULO. A crise global chegou ao bolso do consumidor. Pesquisa da Serasa Experian mostrou que a inadimplência deu um salto de 22,6% em março frente a fevereiro e de 16,6% contra o mesmo mês de 2008, no pior resultado mensal desde o início de 1999. Do total de contas em atraso, 43,4% correspondem a compromissos com bancos, como cheque especial e empréstimo pessoal. Segundo especialistas, esses índices devem subir nos próximos meses, e alguns preveem uma freada no atual ritmo de corte de juros no varejo. - Maior inadimplência significa maior risco para emprestar e, por tabela, juros mais altos embutidos nas prestações - afirma o assessor econômico da Serasa, Carlos Henrique de Almeida, lembrando que os bancos atribuem ao risco de calote até 40% do spread (diferença entre a taxa que pagam para pegar dinheiro e os juros que cobram do consumidor). Num cenário que mistura menor emprego e renda e estabilização dos juros num patamar ainda muito alto (a taxa média hoje é de 7,39% ao mês, ou 135,27% em 12 meses), o consumidor terá de redobrar o cuidado com o orçamento familiar. A recomendação é fugir de gastos impulsivos, como promoções e parcelamentos a perder de vista. Quitar dívida é melhor do que manter aplicação Se necessário, fará bom negócio quem usar investimentos para antecipar o pagamento de parte ou do total de dívidas antigas. A remuneração das aplicações é sempre menor que os juros dos empréstimos. Se houver atraso no pagamento, o melhor é procurar o credor e renegociar o débito. É o que o motorista particular Edson Gomes e o músico Milton Roberto pretendem fazer nesta semana. Ambos ficaram desempregados por mais de um ano, período em que a dívida duplicou. A chance de colocar as contas em dia veio com o novo emprego. - Minha dívida no cartão de crédito pulou de R$ 500 para R$ 1.200. A ideia é propor o pagamento dos R$ 500    - disse Roberto, que agora ganha R$ 900 por mês como operador num estacionamento de São Paulo. Gomes também vai atrás de um acordo com os credores. Somadas, suas dívidas chegam a cerca de R$ 12 mil. - Ganho R$ 2.600 e estou solteiro. Em um ano, pago tudo que devo - disse ele. A pedido do GLOBO, a Associação Nacional de Executivos de Finanças e Contabilidade (Anefac) fez duas simulações. A primeira considera a compra, em 12 parcelas, de um televisor com preço à vista de R$ 2 mil. No fim, o consumidor terá desembolsado R$ 2.890,92. Mas a conta muda se ele decide sacar mil reais de um fundo de renda fixa para quitar metade do valor. Com rendimento médio líquido de 0,8%, o fundo rende R$ 8 mensais, contra juros de R$ 61,80 em cada uma das prestações no financiamento de mil reais. A outra simulação mostra que pode ser vantajoso pegar um empréstimo para saldar uma dívida. Dever R$ 3 mil no cartão de crédito custa hoje R$ 320,40 de juros ao mês. A mesma quantia no empréstimo pessoal tem custo mensal de R$ 163,80, contra R$ 75 no consignado (com desconto em folha).    Com medo da inadimplência, os bancos investem em campanhas de uso consciente do crédito, com cartilhas, anúncios na TV e até jogos na internet para crianças. Professor de finanças no Ibmec de São Paulo, Ricardo Rocha diz que a iniciativa é válida, embora seja difícil medir seus resultados na prática. O maior problema, explica, é que o Brasil - além de ter enfrentado a hiperinflação - não tem uma política pública de orientação sobre finanças pessoais, diferentemente de outros países. - Tente poupar 10% do salário bruto, todo mês, e não deixe que as dívidas consumam mais de 30% da renda líquida (depois dos descontos, como IR e INSS) - recomenda Rocha.

Fonte: Matéria lida no O Globo - 20/04/2009 Aguinaldo Novo   

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Consumidor, cuidado com a alta do calote.Inadimplência maior pode elevar juros de financiamentos no varejo.

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